quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Reflexão.




Hoje, como de costume , estava eu, na parada, esperando um ônibus para ir pra casa. Porém, era uma parada diferente e talvez, não sei porque, o sentimento do momento era diferente também, algo parecido com gratidão.
Resolvi olhar em volta, minha visão se chocou com o de uma mulher, aparentemente 40 anos, tinha lindos olhos azuis, vibrantes porém, havia uma mistura de decepção e tristeza neles. Usava roupas simples, bem como sua atitude, uma mulher batalhadora.
Também vi um grupo de surdos, utilizando LIBRAS para bater um bom papo, vi os olhos surpresos das pessoas, na maioria das vezes preconceituosas, ao verem que os deficientes auditivos haviam ocupado o seu espaço na sociedade. Já eles nem ligaram, continuaram conversando e rindo. Observei a cena com um certo orgulho, ao pensar que meu irmão, deficiente auditivo, também havia conquistado seu espaço.
Logo, passou um grupo de amigas por mim, olharam para a parada com um certo desgosto e juro que ouvi uma delas dizer que ônibus era coisa de pobre e que iria pegar um táxi. Como se pegar um táxi fosse mais digno que um ônibus! Fiquei incrédula diante de tal comentário. Sou uma defensora do transporte público. Obviamente não é tão confortável quanto um carro, mas dá, especialmente aos adolescentes, liberdade e independência. Até porque com o dinheiro que economizo andando de ônibus, quem sabe,daqui a alguns anos não dá para pagar a entrada de um carro?
Logo, meu transporte chegou, fui a primeira a subir, tive sorte e pude sentar no meu lugar favorito. Comecei a pensar, na imaturidade daquela guria, me enchi de sentimentos ruins. Foi quando avistei um bebê, lindo e sorridente, porém, com um olhar questionador. Comecei a imaginar aquela menininha daqui a 15 anos, quem sabe será como eu, uma questionadora, porém, deixará de questionar com o olhar e passará este poder para as palavras. Esperteza será seu apelido.
Fiquei grata por ter tido experiencias desde pequena, assim como o bebê.  Sei que conquistar algo, especialmente nos dias de hoje não é fácil, pude ver no olhar da mulher na parada. Também sou extremamente grata por ter uma mãe, muito querida e compreensiva que me espera com um lanche muito gostoso após cada dia.  Concluí que olhar em volta e refletir faz bem!
Obrigada, mais por favor!

Um comentário:

  1. Minha querida Carolina, admiro pessoas que expandem seu campo de visão e dão atenção aos pequenos detalhes, pois eles normalmente nos trazem grandes reflexões e aprendizados. Quanto à menina que zombou de andar de ônibus, não se chateie, pois ela naturalmente enxergará a verdade mais adiante... nem todos largam de cara com mesma maturidade que tu já tem. Ponto pra ti!

    Beijo!

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