segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Apenas respirando


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As vezes a vida torna-se pragmática. Ela não quer nem saber das suas vontades, se isso te faz feliz ou não. E o tempo vai passando, as coisas vão mudando, até que em determinado momento tudo começa a ruir.
Atualmente enfrentamos diversos problemas, a insegurança nas ruas, a economia lamentável, um futuro incerto, dentre tantas outras coisas, ao que nós brasileiros estamos diariamente expostos.
Dentre isso a vida pessoal torna-se uma loucura, o trabalho diário nos consome e o estudo se faz necessário para evoluir cada vez mais. A competição é grande.
Mas em meio a tudo isso, alguém tem o seu coração quebrado e além de ter que lidar com a rotina... Tem de arrumar forças para levantar-se toda manhã. É como se houvesse um buraco sendo cavado de dentro para fora, o tipo de dor que não desejo nem para a minha pior inimiga. Uma palavra, uma música é o suficiente para debulhar-se em lágrimas. Família e amigos dão conforto, ajeitam a rotina, se esforçam para fazer tudo ficar mais leve, mas todo esforço é em vão pois no final do dia, ao deitar-se a dor toma conta. Tudo fica pior, a energia, a vontade de fazer do amanhã um dia melhor se esvai e você vai apenas levando... Sobrevivendo, respirando.
Em determinado momento você vai se perguntar, que tipo de pessoa é, o que a levou a sentir isso e passar noites a fio procurando respostas que nunca virão. Vai cobrar explicações e terá sua solicitação ignorada, vai engolir o orgulho e se esfarelar em milhões de pedacinhos. Irá chorar no meio da rua, no caminho para o trabalho, no Campus da faculdade. Não vai sentir necessidade de se alimentar, mas vai o fazer pois sabe que isso deixará sua mãe descansada e a dará um pouquinho de energia para conviver com mais um dia. Procura conforto em filmes, séries... Procura até histórias como a sua que em algum momento obteve um final feliz, mas não as encontra.
Eis que a efemeridade do tempo age cautelosamente, aquela música... já não magoa mais tanto, e certas palavras nem fazem mais diferença. Porém, ainda está muito magoada e ainda dói. Mas sabe que é importante que deixe pelo menos um pouquinho dessa dor... em algum lugar. Arranja forças e pega aquele velho álbum de lembranças, aquela caixa com todos os ingressos de cinemas e de shows, fotos, surpresas, bilhetes e presentes. Os organiza e reorganiza, vive as lembranças por uma ou duas horas, até que sente que é o momento de deixar ir, porém, não é forte o suficiente para jogar tudo fora. Apenas os guarda, com muito carinho em algum canto no fundo do guarda-roupa. E finge, por um momento, que é capaz de os esquecer.
E a vida segue, a rotina continua, as tarefas também. Então, você não tem mais planos e nota-se que é necessário metas. Elas são importantes, especialmente agora, para dar aquele sentido na vida. Você as cria e as segue...
Mais alguns dias, você sentirá a necessidade de se arrumar, afinal, você é e sempre foi vaidosa, pega aquele blazer que ganhou de aniversário e resolve o usar, passa um rímel e até um batom vermelho, hoje está corajosa e sente-se tão radiante quanto o sol que demorou a aparecer.
Houveram dias escuros e sufocantes, mas eles se foram. Bem como a vontade de o ter de volta, afinal, você se acostumou a não o ver e a lembrança dele  dele enfraquece. A dor ainda está ali, a angústia de não poder o chamar, de não ter contato. Mas sabe que tê-lo tornaria tudo ainda pior.
O dia segue e percebe uma olhadela, daquelas inocentes, apenas por curiosidade. Sente-se então alegre, confiante. Foi cortejada.
O coração, pela primeira vez em muito tempo, se anima e as amarras e curativos que estavam em seu coração transformam-se em apenas um band aid. O trabalho toma conta da sua vida e você se permite ser levada por ela. Sente-se feliz.
A paz ainda não voltou e sabe-se lá se algum dia ela voltará, talvez nem deveria. Não está 100%, mas já chegou nos 50%. A vida continua, pragmática, nunca se sabe o que dela esperar.
Você se esforça e espera apenas, que o amanhã seja melhor do que hoje. É apenas segunda-feira, mas já está planejando o final de semana, um sinal muito bom, afinal deixou de sobreviver e permitiu-se viver.